sexta-feira, junho 09, 2006

O Horror Económico (*)

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As agonias do trabalho perdido vivem-se a todos os níveis da escala social. Em cada um deles, são sentidas como uma prova acabrunhante que parece profanar a identidade de quem a sofre. Ocorre de imediato o desequilíbrio, a humilhação (injustificada) e o perigo. Os quadros podem estar sujeitos a isto, no mínimo, tanto quanto os trabalhadores menos qualificados. É surpreendente dercobrir até que ponto se pode perder rapidamente o pé e como a sociedade se torna severa, como se perdem todos ou quase todos os recursos quando se está destituído.
[...]
Ausência de racionalidade? Alguns exemplos:
Isentar de censura as castas afortunadas, dirigentes, neste caso ignoradas, mas acusar certos grupos desfavorecidos por o serem menos que outros. Por serem, em suma, um pouco menos humilhados. Tomar assim as humilhações por modelo pelo qual nos devemos alinhar - numa palavra, tomar como norma o facto de ser humilhado.
Considerar também privilegiados, aproveitadores no fundo, os que ainda têm trabalho, mesmo mal pago; portanto, tomar como norma a ausência de trabalho. Indignar-se com o "egoísmo" dos trabalhadores, esses sátrapas que rosnam quando se trata de partilhar o trabalbo, mesmo mal pago, com os que o não têm, mas não alargar essa exigência de solidariedade à partilha das fortunas ou dos lucros - o que seria considerado, nos tempos que correm, imbecil, obsoleto e além disso de uma grande falta de educação...!

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(*) Viviane Forrester, 1996.

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