quinta-feira, abril 20, 2006

PORTUGAL TRANSFORMADO NUM GRANDE CASINO


Reabilitar o Parque Mayer tinha como contrapartida a abertura do casino. Aberto o casino, veio agora o edil de Lisboa dizer-nos que só se prevêem alterações no Parque daqui a quatro anos. Pena que só o faça agora, depois de ter levado alguns saudosos - artistas de um teatro que já teve o seu tempo e mais alguns - a depositarem o seu voto e a sua confiança naqueles que afinal o que os movia era apenas o negócio. Pelo meio, destruíram a Feira Popular, sem encontrarem alternativa.
No que respeita concretamente ao novo Casino de Lisboa e às suas "ofertas", retenho duas situações que considero gravíssimas:

* Poder-se-á jogar com apenas 1 cêntimo;
* No horário a seguir à saída dos empregos, as apostas serão mais baratas.

Não é isto o mais descarado convite à criação de adictos, que a breve prazo tentarão, depois de gastarem o que têm e outro tanto, arranjar dinheiro de qualquer forma para satisfazer o vício e para se tentarem levantar, arruinando-se cada vez mais? Todos conhecemos casos mais do que suficientes das misérias que o jogo traz. E não me venham dizer que só lá vai quem quer...
Perguntava uma jornalista, candidamente, a um senhor agora loiro, presidente da Estoril Sol, proprietária do Casino, porque é que se criava agora um casino em Lisboa numa altura de crise. Não transcrevo a resposta, não me pareceu séria, mas não tenho dúvidas de que é precisamente pelo facto de estarmos em crise que o casino aparece. Esperemos um tempo, não necessariamente muito longo, e veremos os lucros avultados que o Casino vai apresentar.
Afinal, seguindo os passos que a banca - os banqueiros - vêm trilhando: lucros fabulosos para eles e cada vez maior endividamento para os que têm o azar de cair nas suas garras.

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