quinta-feira, fevereiro 23, 2006

"NUNCA MAIS TE HÁS-DE CALAR Ó ZECA"


Escultura no Parque Central da Amadora

Não é de mais falar de Zeca num dia como o de hoje.
José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso (seu sobrinho) gravaram há anos um álbum, "Maio, Maduro Maio", composto na sua quase totalidade por canções do Zeca, excepto uma, a que deram precisamente o nome de "Zeca".
Infelizmente, nunca a ouvi na rádio ou na televisão e não imaginam como gostaria de ter os meios técnicos de modo a que pudesse ser ouvida aqui. Assim, limito-me a oferecer-vos a letra da canção que considero ser a mais bela e mais bonita homenagem ao Zeca:

Vieste de menino de oiro pela mão
Acordar a madrugada
E fez mais às vezes uma só canção
Do que muita panfletada

Grandes janelas soubeste abrir
Por onde o ar correu sem te pedir
Que não se cansem de nascer
As fontes onde vais beber

Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor a tua voz

Vestiste capa de caloiro coimbrão
Para ultrapassar o fado
E em cada Natal teu fruto temporão
Nunca foi ultrapassado

Na distracção jogas à defesa
Com o humor disfarças a tristeza
Cantas a esperança e o amor
Que o povo te ensinou de cor

Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor a tua voz

Nem tudo o que reluz é oiro pois então
E bem gostaria o facho
De te ver calado e manso pela mão
Com medalhas no penacho

Com a tua ronha felina e sã
Vais-lhe atirando as flechas de amanhã
O olho pisco a acender
E a garganta a acontecer

Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor a tua voz

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