segunda-feira, dezembro 19, 2005

ALEXANDRE O'NEILL


19 de Dezembro de 1924
21 de Agosto de 1986

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Se fosse vivo, Alexandre O'Neill completaria hoje 81 anos. Isso mesmo nos recorda o amigo Armando Ésse num seu post de hoje. Grato pela evocação, aproveito para publicar um poema de Alexandre O'Neill de 1975. Infelizmente, mantém-se actual, sabendo nós, por denúncias de organismos ligados à imigração
(da ACIME, por exemplo), que o sistema de «a cama quente» é uma prática cada vez mais comum em Portugal, especialmente entre os imigrantes.
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A CAMA QUENTE
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Homenagem aos mineiros do Chile
que dormem, singelo,
pelo sistema de «a cama quente»
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Na mina trabalha-se por turnos.
Quando se volta nem se tiram os coturnos.
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Bebido o café negro e trincado o casqueiro,
joga-se o corpo ao sono, mas, primeiro,
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enxota-se o camarada da cama ainda quente,
que não há camas, no Chile, pra toda a gente.
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Do calor que sobrou o nosso se acrescenta
pra dar calor ao próximo que entra.
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Vós, que dormis em camas, como reis,
tantas horas por dia, não sabeis
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como é bom dormir ao calor de um irmão
que saiu ao nitrato ou ao carvão
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e despertar ao abanão (é o contrato!)
de um que chega do carvão ou do nitrato!
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É a este sistema, minha gente,
que se chama no Chile «a cama quente»...

1 Comments:

At 21:59, Blogger Armando S. Sousa said...

Que poeta era, que poeta é, O'Neill!
Um dos imortais da poesia portuguesa.
Obrigado pela referência.
Um abraço.

 

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