quinta-feira, novembro 03, 2005

RÁDIO PORTÁTIL


Duda Guennes, brasileiro, ao tempo (há cerca de 15 anos) colaborador do jornal A Bola, publicou este texto que eu acho uma gostosura e que, por o ter guardado, me permite fazer esta entrada:
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«De vez em quando tenho saudades do Teles, um paraibano arretado, craque cadastrado no desporto da escrita. Quando a saudade aperta vou até ele e peço: ó Teles, conta-me uma das tuas istórias. Ele então dá-me o seu livro O Montinho Herdeiro e Outros Casos de Humor e diz: serve-te! É o que eu vou fazer, servir-me do seu "causo" chamado "A Ficha Técnica".
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CALCINHA COM CARA DE GATO
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"Agenor tinha duas paixões: o futebol e as mulheres. Tinha também uma esposa muito bonitinha e ciumentíssima que só o deixava dar vazão à primeira das paixões, e olhe lá. Agenor ia ao estádio sob marcação cerrada. Ao voltar para casa Dona Clotilde (nome da senhora dele) o obrigava a recitar de cor o resultado da partida, renda, público, substituições e até a quantidade de cartões amarelos distribuídos pelo árbitro. Como ela conferia? Elementar; Dona Clotilde acompanhava a peleja num radinho de pilhas e anotava tudo.
Um belo dia, Agenor ajeitou-se com uma moça (modo de dizer, porque ela já tinha 39 anos e era viúva duas vezes) e logo tratou de bolar um plano para driblar a vigilância de dona Encrenca; iria com a menina para o motel devidamente munido de um rádio portátil. Aí era jogar a pelada nas quatro linhas do leito sem esquecer, como fazia Dona Clotilde, de anotar todos os detalhes da contenda.
Por quase um ano, Agenor prevaricou a valer, era só haver jogo do seu time. Nesse período, perdeu até a conta de quantas parceiras utilizou em suas escapadas sexo-esportivas. Uma tarde, quando ele e a parceira estavam nos preliminares e a partida principal já ia na metade do primeiro tempo, o rádio emudeceu. as pilhas pifaram. Raciocinando rapidamente, Agenor teve a ideia salvadora. Ali perto do motel um amigo dele (e de dona Clotilde) possuía uma quintinete onde, aos domingos, se encontrava com mulheres [vadias] como ele as chamava. Assim, era dar um pulinho lá e tomar outro transístor emprestado. Vestiu as roupas às pressas, mandou a parceira ir esquentando para a partida de fundo, avisou ao porteiro e se foi...
Antes não tivesse ido. Ao chegar no apartamento do colega, tocou a campainha e quem atendeu foi dona Clotilde. Vestida com uma blusa de pijama e uma calcinha minúscula, com a cara de um gatinho desenhada nela (ele nunca tinha visto aquela), em uma das mãos ela estava com um radinho ligado no futebol, na outra um copo com uísque, nas pedras."

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