terça-feira, novembro 08, 2005

O PERFUME DE REVOLTA


FALHANÇO DAS POLÍTICAS NEOLIBERAIS

Rui Costa Pinto, jornalista da Visão online, publicou este artigo, a propósito da situação social que se vive em França, que entendo ser merecedor de reflexão:

«A explosão social que se vive em França, de Norte a Sul, é mais uma séria advertência aos governos da União Europeia.
Aparentemente, os líderes europeus não aprenderam nada com o último chumbo do tratado constitucional.
O desemprego, a marginalização e a especulação financeira continuam a ser flagelos sem uma resposta cabal da parte dos governos de esquerda e de direita.
Não é por acaso que este clima de revolta social surgiu na terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Também não é por acaso que George W. Bush é recebido, na Argentina e no Brasil, com gigantescas manifestações de protesto.
Afinal, não é só o terrorismo internacional que coloca em perigo as sociedades democráticas.
Actualmente, há um perfume de revolta social que começa a empestar o ar da civilização ocidental.
Indiferentes ao que se passa à sua volta, os deputados portugueses preparam-se para aprovar um orçamento que não antecipa soluções para as grandes questões que estão em cima da mesa na generalidade dos países europeus.
Definitivamente, a maioria de esquerda que está no poder ainda não está preocupada com os efeitos do aumento do desemprego.
Os sinais de tensão social, nomeadamente os que surgem no seio das comunidades de imigrantes, acantonadas em bairros degradados da periferia de Lisboa e do Porto, também não têm sido levados a sério.
O crescimento do fosso entre os ricos e os pobres, estampado em todos os estudos, devia merecer outro tipo de medidas governamentais.
A manterem-se os cortes cegos nas políticas sociais, a explosão da violência urbana, em Portugal, é apenas uma questão de tempo.
Os incidentes em França, que já chegaram ao centro de Paris, dão razão aos que sustentam que é preciso ver além do equilíbrio das contas públicas.
A miséria e a exclusão impedem o desenvolvimento económico, minam a paz social e comprometem a ordem pública.
O desespero da recaille (escumalha), como lhe chamou Nicolas Sarkozy, é muito mais do que uma resposta à atitude racista do ministro do Interior francês.
É a prova do falhanço das políticas neoliberais.»

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