terça-feira, novembro 01, 2005

DIA DE PÃO-POR-DEUS

RECUANDO NO TEMPO
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Agora que os filhos já não são partícipes neste hábito e que os netos ainda são demasiadamente pequenos para se aventurarem nas peripécias deste dia, são os miúdos que aqui batem à porta e que aí vejo pelas ruas que me vão mantendo a esperança de que esta tradição não cairá.
Recuando no tempo (45/50 anos), recordo com saudade não só as aventuras deste dia mas também o dia anterior, ansioso que já estava para, entre outras coisas, talvez a mais importante, poder viver um dia de liberdade.
Minha mãe, que sempre foi pessoa de não me dar grandes liberdades, neste dia esquecia o rigor e deixava-me perfeitamente à vontade. E como recordo o carinho com que ela fazia os sacos de pano para mim e para o meu irmão - todos os anos sacos novos! - incentivando-nos à participação no Dia de Pão-por-Deus.
Saíamos aqui de Porto Salvo, cedo, íamos pelas terras até Paço d'Arcos e Oeiras (as casas ainda eram poucas) e só regressávamos quase noite com os sacos a abarrotar de castanhas, tremoços, nozes, figos, amendoins, mais alguns géneros de que já não me recordo, e algumas moedas - na sua grande maioria de 5 ou 10 tostões (quando nos davam uma de 25 tostões era uma alegria).
Ao longo da vida, sempre pensei que este hábito, que não sei de onde é oriundo nem o seu princípio, era exclusivo desta zona chamada saloia, indo, obviamente, até aos concelhos de Mafra e Torres Vedras; verifico agora que também os Açores cumprem esta tradição, tendo inclusive os açorianos levado este hábito para o Sul do Brasil.
Será que alguém sabe a razão de ser desta tradição?

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