quinta-feira, outubro 13, 2005

SABER GANHAR

«Gosto muito de ir votar.»

É assim que Joaquim Fidalgo começa a sua habitual crónica das quartas-feiras no Público.
Confesso que também gosto de ir votar, não podendo dizer que gosto muito. Há em mim, creio que em muitas outras pessoas também, um misto de dever/direito - caramba, também eu sei o quanto desejava votar noutros tempos e não nos deixavam. No entanto, verificando cada vez mais que os poderes diversos apenas se pretendem servir do voto para legitimar comportamentos que vão bastas vezes contra os interesses da grande maioria de quem trabalha, às vezes duvido da sua utilidade e sinto uma grande frustação por verificar que afinal a participação das populações neste tipo de democracia se limita a fazer uma cruzinha de vez em quando.
Voltemos, entretanto, à crónica de Joaquim Fidalgo e vejamos como também ele comunga do que digo atrás: «[...] O voto é soberano, de acordo. Mas o voto não esgota a vida democrática, não substitui a lei, o debate público, a comunicação social livre e responsável, o respeito por quem perde, o direito de ser minoria e pensar diferente. Ganhar uma eleição é ter mais votos, mas não é forçosamente, só por isso, passar a ter, em tudo, toda a razão.»

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home