quinta-feira, outubro 20, 2005

A GRANDE IMPLOSÃO - 1

A GRANDE IMPLOSÃO
Relatório sobre o Desmoronamento do Ocidente - 1999-2002
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Pierre Thuillier, francês, filósofo e historiador da Ciência, publicou em 1995 o livro com o título com que encimo este post. Dele disse Lucien Sfez em La Recherche:
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«Eis um "relatório sobre o desmoronamento do Ocidente" que sucederia entre 1999 e 2002. Redigido em 2081 por alguns homens livres (poetas, historiadores e humanistas), este texto dá-nos conta do seu espanto perante a cegueira dos séculos precedentes, muito em especial do século XX. Os relatores pretendem comprender as razões que conduziram "à grande implosão". Na obra não faltam os autores eminentes. Servem constantemente de baliza à reflexão. Seja para serem criticados (Condorcet, Saint-Simon...), seja para serem evocados como analistas e profetas (Gramsci, Lévi-Strauss...).
A estes homens junta-se o denominado padre Dupin. Sempre com uma palavra definitiva. Lúcido, por vezes rezingão, Dupin é o aparente duplo de Thuillier. Pode dizer coisas no seu lugar, porque Thuillier autor fica na neutralidade aparente do relator. A demonstração "para a grande implosão" é longa e articulada. A culpa é do dinheiro, da engenharia, da técnica, do estado, e da razão que exlui a subjectividade e a afectividade.
Um ensaio que se lê como um romance. Generoso, dotado de um enorme calor no tom, por vezes inventivo, é uma narração agradável de ler e que alimentará a reflexão dos indivíduos avisados e revelará aos outros a complexidade dos problemas a resolver.»
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Deste livro, editado em Portugal em 1999 pela editora do Instituto Piaget, e que se divide em cinco capítulos, permito-me transcrever do capítulo 1 - Homo Urbanus, uma epígrafe, de Paul Valéry:
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«O civilizado das cidades enormes volta ao estado selvagem - ou seja, isolado, porque o mecanismo social lhe permite esquecer a necessidade da comunidade e perder sentimentos de ligação entre indivíduos, outrora despertos, incessantemente, pela necessidade.»
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e a parte inicial do capítulo:
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«Em que momento da sua História se empenhou o Ocidente na via da "modernidade"? Em que momento fez rumo, irrreversivelmente, à sociedade industrial, à sociedade do Dinheiro, de Máquina e da Exclusão? Ou ainda, para falar a linguagem di professor Dupin: se se admitir que a cultura moderna sucedeu à cultura cristã, até onde é preciso remontar para perceber os primeiros sinais de uma transformação espiritual profunda? Quando e como iniciaram, concretamente, os ocidentais o processo que ia conduzi-los à Grande Implosão?
Uma resposta definitiva, precisa e rigorosa (no sentido que os racionalistas davam a estas palavras) estava fora do nosso alcance. Depois de tentativas e de inúmeras discussões, aderimos à opinião do professor Dupin e às intuições dos nossos poetas. Devámos procurar as origens da "modernidade" na Idade Média. Material e simbolicamente, o período decisivo situava-se um pouco depois do ano mil, quando o Ocidente inventara e criara um novo tipo de cidade, um novo tipo de cultura urbana. Para indicarmos este acontecimento fundador e para sublinharmos a sua importância, utilizámos, muitas vezes, a expressão de Grande Mutação Urbana. Os historiadores ocidentais tinham recorrido a outras fórmulas mais ou menos equivalentes (tais como "renascimento urbano" e, mesmo, "revolução urbana"). O essencial era reconhecer, plenamente, o significado do mito de Cidade sob a forma particular que o Ocidente lhe dera. O professor Dupin, como era hábito, encontrara uma fórmula estimulante: o Ocidente moderno nasceu nas cidades e morreu nelas. Não compreendemos, imediatamente, a importância do conselho implicitamente dado pelo distinto professor. Porém, acabámos por compreender: se queríamos interessar-nos pela Grande Mutação Urbana, era porque ela engendrara a figura central da nova cultura, o Burguês.» [...]

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