segunda-feira, outubro 24, 2005

ESCOLA. «TRABALHOS DE CASA: SIM OU NÃO?»


«TUDO EM FAMÍLIA»

Este programa, que a Dois transmite, em directo, de segunda a sexta-feira entre as 14 .15 e as 16 horas, aborda quase sempre assuntos de grande interesse. Hoje debateu-se o tema «Trabalhos de casa; sim ou não?» Com a presença de Ponces de Carvalho, director da Escola Superior de Educação João de Deus, do presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, e de uma psicóloga, contou com a apresentação de Margarida Mercês de Melo e a participação dos espectadores.
Foi interessante ouvir alguns depoimentos de pais e de avós onde se dava conta das dificuldades que os alunos têm para conciliar as diversas actividades, depois de um dia de aulas que termina às 17.30 horas. Muitas vezes são os próprios pais que fazem os trabalhos de casa, colocando-se numa situação de instigação à mentira e de superioridade em relação a outros alunos (isto foi desmascarado no programa); outras vezes - foi a mãe de um aluno de Beja que o disse - «quando há trabalhos de grupo, esses trabalhos são só executados por 2/3 alunos e aos outros são dadas fotocópias, pois que a maior parte é das aldeias e tem de regressar a casa...»
Do que retive - não vi o programa na totalidade - a maior parte dos intervenientes não é favorável à ideia de que se levem trabalhos para casa, havendo no entanto um ou outro caso - da psicóloga, por exemplo - em que se não é totalmente contra. Para isso, porém, por exemplo, os professores, das diversas turmas, teriam de se organizar de modo a que não acontecesem situações do tipo de num dia haver muito trabalho de casa e noutros nenhum.
Foi tão rico o programa que muitas mais coisas teria a dizer, desde as ideias lançadas pelo director da ESE João de Deus - dando exemplo de algumas práticas da sua escola -, até às intervenções do presidente da CONFAP, também ele professor, embora já não exerça há 20 anos.
A propósito do presidente da CONFAP, apenas umas palavras para dizer o quanto admiro a sua capacidade e o seu empenho. Sem pôr em causa os seus antecessores - sei do que falo, pois também fiz parte de uma associação de pais (já lá vão uns anos...) e fui sempre participativo nas reuniões enquanto os meus filhos foram estudantes - penso que os pais estão extraordinariamente bem representados, tendo no entanto a dúvida se estes têm a noção disso...
Este programa - programas deste tipo - podiam ser uma óptima ajuda para os pais, se fossem transmitidos a horas acessíveis. Às vezes tenho a sensação de que se pretende manter os pais amorfos, desinteressados, naturalmente com o fito de os cativar para outro tipo de programas, não os ajudando a crescer como pais e como educadores...

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