terça-feira, agosto 29, 2006

"Vou andar por aí..."


Era inevitável. Moribundo já há uns tempos, o Pensatempos finou-se hoje.

A todos os que por aqui passaram, a minha gratidão, com a promessa/ameaça de que "vou andar por aí", abraçando provavelmente um novo projecto.

Até lá.
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segunda-feira, agosto 21, 2006

Carros de luxo na urgência

Ferreira Fernandes, no CM de hoje:

O administrador de um hospital não tem o sonho legítimo de qualquer patrão: fazer lucro. Os hospitais públicos têm tão poucas receitas que o papel do administrador não é ganhar mais mas perder menos.
A um patrão, o destino diz-lhe: "Conquista!" A um administrador, diz-lhe: "Corta!" E ele corta. Do barato, a gaze, ao caro, as TAC. É uma vocação tramada, porque nos hospitais os cortes podem cortar vidas. E, no entanto, é uma profissão utilíssima e nobre.
Gerir os nossos recursos de país pobre, cortar nos gastos, porque não temos com que gastar, é necessário. E é uma profissão moralmente desgastante.
Um administrador de hospital público deve estar sempre a pensar: "Por causa das minhas jantes de liga leve quantas análises a velhinhos não foram feitas?"

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quarta-feira, agosto 16, 2006

REGRESSO DE FÉRIAS

Contrariamente ao resto do País, a zona onde passei a maior parte das férias deste ano - Figueiró dos Vinhos/Pedrógão Grande/Castanheira de Pêra - foi apenas assolada por um incêndio. Serviu o mesmo, no entanto, para nos lembrar uma realidade já habitual.
Este ano, porém, houve uma forma diferente de abordar essa realidade; partiu do ministro da Administração Interna, na prática a segunda figura do Governo, que veio reconhecer ter o Estado mais uma vez falhado no que respeita à prevenção dos fogos, à tomada de medidas de limpeza das florestas.
Este reconhecimento - que aplaudo - suscita-me no entanto algumas dúvidas: será que há definitivamente a assunção de que nada se pode fazer - as sucessivas promessas de resolução do problema por parte de vários governos, normalmente em Setembro/Outubro, e a continuação da mesma situação todos os anos quase me fazem acreditar na demissão do Estado... - ou, pelo contrário, pretendem essas palavras ser uma pedrada no charco na incúria e no desleixo com que vemos muita gente tratar a floresta?
Entendo que este problema se tem vindo a agravar ao longo dos anos fruto de uma política dos diversos governos que tem levado o interior a desertificar-se, a despovoar-se, a desordenar-se e a arder na proporção em que avançam a desertificação, a desordem e o despovoamento.
Por isso, ouvir o ministro António Costa dar a entender que os ministros responsáveis - da agricultura e do ambiente - não deveriam ir de férias nesta altura não tem para mim nenhum significado. Importante é que todos eles, no que à resolução deste problema diz respeito, não metessem férias todo o ano...

Foz de Alge, Figueiró dos Vinhos (norte do distrito de Leiria).
Local onde se encontram os rios Alge (à esquerda) e Zêzere.

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sexta-feira, julho 21, 2006

Ao folhear o programa de festas em honra da Nossa Senhora de Porto Salvo, percebo finalmente qual a razão porque o campo de jogos do Atlético Clube de Porto Salvo - agremiação que se dedica em exclusivo ao futebol mas que mantém em actividade cerca de cento e cinquenta atletas, divididos em seis escalões: escolas, infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores - continua a ser o mesmo que já no ano 89 do século passado não reunia as condições mínimas para uma boa prática desportiva.
Essa mesma falta de condições foi reconhecida pelas entidades oficiais, tendo até sido colocada a primeira pedra para a construção do novo complexo desportivo (como a foto ilustra).
Volvidos todos estes anos, com a direcção do Atlético a ser constituída quase sempre pelos mesmos elementos e com a presidência da Câmara novamente a ser exercida por Isaltino Morais, eis que no dito programa o presidente do Atlético Clube de Porto Salvo, na sua qualidade de membro da comissão de honra das festas, diz estar
"à espera do apoio da Nossa Senhora de Porto Salvo no sentido da resolução dos problemas mais gritantes, que são: a sede social e o novo campo de jogos".
O presidente do clube, decepcionado com o comportamento e a falta de palavra dos homens, vira-se agora - há quanto tempo? - para o acreditar no transcendental, depositando as esperanças no vazio.
Esta evolução, chamar-lhe-ei desinvolução, tem a sua lógica mas não virá resolver os verdadeiros problemas.
Por mim, este exemplo, e tantos outros, não me leva a acreditar em quaisquer deuses. Digo até, como um amigo:

Não tenho, nem nunca tive
Fé num Deus que nunca vi
Tive apenas fé nos homens
E até essa já perdi.
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Paz no Médio Oriente!

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quinta-feira, julho 20, 2006

Oiço e quase não acredito

Acabo de ouvir a repórter NATÁLIA CARVALHO, da Antena 1, em reportagem junto da manifestação da FENPROF, nas imediações da Assembleia da República, dizer o seguinte:

"[...] Está também por aqui uma carrinha a vomitar canções de intervenção [...]"

Será que esta senhora não encontrou um verbo mais apropriado ou, pelo contrário, pensa que aquela música é mesmo um vómito? Tem todo o direito de o pensar, como é óbvio, não deve é, na sua qualidade de repórter, usar este tipo de linguagem.


quarta-feira, julho 12, 2006

Isenção de IRS aos jogadores da selecção de futebol

[...] "Eu gostava de acreditar que doravante o mundo vai enfim olhar-nos com inveja e pasmo, possivelmente a mesma inveja e o mesmo pasmo que o mundo dedica ao Brasil desde 1958."
"Eu gostava de perceber o processo pelo qual sete jogos, duas derrotas, meia dúzia de golos e uma série de exibições à exacta medida de uma modalidade em farrapos compõem uma epopeia, e de que modo é que uns sujeitos que desempenham sem dor nem demasiado empenho o seu vulgar ofício são heróis."
"Eu gostava de poder concordar com VJ Silva, reconhecendo que a Selecção já fez por nós o que podia e, em consequência, ajudar VJ Silva a conceber maneiras de pagarmos a dívida, entre as quais isentar de IRS os prémios dos espertalhões, perdão, heróis."
(A. Gonçalves, Correio da Manhã)


Face à esperteza saloia do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que reivindica o direito de isenção de IRS nos prémios dos milionários jogadores, fazendo, ao que parece, eco dos desejos dos próprios jogadores, recomendo a leitura do post com o título "A confusão" no blogue Estados d'Alma, do professor José Manuel Constantino.

quinta-feira, julho 06, 2006

Críticas

Avesso a todas as críticas, tenham elas a ver com a não convocatória de determinado jogador e ou no que à constituição da equipa diz respeito, terá Scolari legitimidade para criticar o trabalho do árbitro do Portugal-França?
Como nunca vi Scolari ou qualquer outro treinador, na sequência de uma vitória, vir acusar o árbitro de ser o culpado desse êxito, é óbvio que só posso pensar que a crítica ao elo mais fraco do jogo tem fundamentalmente a ver com o alijar de responsabilidades.
E se um dia o árbitro também criticar o trabalho do treinador sobre, por exemplo, a constituição da equipa ou uma substituição que no seu entender foi mal feita?
E se este do Portugal-França - quanto a mim, injustamente criticado, pois penso que não foi ele o culpado da nossa derrota (claro que errou) - viesse a terreiro dizer, por exemplo, que Scolari foi o culpado de o sonho dos portugueses ter terminado por não ter colocado em campo, sei lá, o Nuno Gomes?
Em tempo: não sou ingrato e devo dizer que se o sonho existiu, o mérito se deve quase na totalidade a Scolari.